Golpes digitais avançam no Piauí: como se proteger de fraudes via Pix e aplicativos falsos

Ethan Norcrest
Ethan Norcrest

Polícia Civil cumpriu mais de 40 mandados em Teresina contra quadrilhas que usavam nome de instituições financeiras para aplicar golpes

O avanço dos crimes cibernéticos tem colocado o Piauí no radar das forças de segurança nos últimos meses. Uma operação recente da Polícia Civil, deflagrada a partir da Central de Inquéritos da Comarca de Teresina, resultou no cumprimento de mais de 40 mandados judiciais entre prisões temporárias e buscas, mirando grupos que usavam indevidamente o nome de instituições financeiras de renome para convencer vítimas a instalar aplicativos falsos de corretora.

Como funciona o golpe que mais engana os piauienses

Segundo apurado pela Polícia Civil, os criminosos entravam em contato com potenciais vítimas se passando por representantes de bancos ou corretoras conhecidas, orientando a instalação de um aplicativo falso que dava acesso remoto ao celular ou aos dados bancários da pessoa. Somadas, as duas organizações investigadas provocaram prejuízos que ultrapassam R$ 1 milhão, com mais de cem vítimas identificadas apenas no estado.

Dados do Procon em parceria com o Ministério Público do Piauí mostram que a fraude conhecida como “falso advogado” segue sendo a mais recorrente no estado, aparecendo no topo do ranking por oito meses seguidos. Nesse esquema, criminosos copiam fotos de advogados, familiares ou amigos da vítima para criar perfis falsos no WhatsApp e pedir transferências urgentes, geralmente alegando uma emergência.

Falsa loja e falsa central de atendimento também preocupam

Outro golpe frequente é o da “falsa loja”, em que perfis nas redes sociais anunciam produtos com preços muito abaixo do mercado e exigem pagamento antecipado via Pix, sem nunca entregar a mercadoria. Já a fraude da “falsa central de atendimento” costuma causar prejuízos mais altos por vítima, já que o golpista liga se passando por funcionário do banco, relata compras suspeitas para gerar urgência e induz a pessoa a fazer uma transferência para supostamente proteger sua conta.

A rapidez e a praticidade que tornaram o Pix popular também abriram espaço para que golpistas adaptassem táticas de engenharia social ao novo meio de pagamento. Como a transferência é processada em segundos e, na maioria dos casos, irreversível, o sistema virou ferramenta atraente para quem busca agir antes que a vítima perceba o golpe.

Como identificar uma tentativa de fraude

Bancos e corretoras não costumam pedir transferências para resolver problemas de segurança, nem solicitar que o cliente instale aplicativos fora das lojas oficiais. Ligações que geram urgência excessiva, insistência para agir rapidamente e pedidos de dados sensíveis por telefone ou WhatsApp são sinais de alerta que merecem desconfiança imediata.

Especialistas em segurança digital recomendam ativar a verificação em duas etapas no WhatsApp, confirmar por ligação qualquer pedido de dinheiro feito por mensagem antes de transferir qualquer valor e manter aplicativos bancários sempre atualizados. Em caso de dúvida sobre uma cobrança ou uma oferta suspeita, o caminho mais seguro é entrar em contato diretamente com a instituição financeira pelos canais oficiais, e não pelo número informado na mensagem recebida.

Onde denunciar em caso de prejuízo

Vítimas de golpes digitais no Piauí podem registrar ocorrência nas delegacias especializadas em crimes cibernéticos e também acionar o Procon estadual, que mantém um painel de monitoramento de fraudes usado para orientar campanhas de prevenção. Quanto mais rápido o registro for feito após a transferência indevida, maiores as chances de o banco conseguir bloquear parte do valor antes que ele seja repassado pelo golpista.

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