Por que Teresina tem madrugadas frias e tardes de até 40°C neste mês de agosto

Ethan Norcrest
Ethan Norcrest

Fenômeno de amplitude térmica elevada chama atenção de moradores e é monitorado por órgão estadual de meteorologia

Quem mora em Teresina tem sentido, nas últimas semanas, um contraste incomum entre o início e o fim do dia. Na madrugada de 18 de agosto, a capital registrou 18,5°C, a menor temperatura entre os municípios monitorados pela Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos, ligada à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí. Poucas horas depois, na mesma tarde, o termômetro voltou a ultrapassar os 37°C, reforçando um padrão que tem se repetido ao longo do mês.

Um mês praticamente sem chuva na capital

Segundo dados da Sampece, outras cidades do interior também tiveram madrugadas amenas no mesmo período: Barreiras do Piauí marcou 18,7°C, Corrente chegou a 19,1°C, e Castelo do Piauí e Oeiras registraram 19,9°C. A explicação está na combinação de céu limpo, baixa umidade do ar e ausência de chuvas, condições que facilitam a perda rápida de calor durante a noite e, ao mesmo tempo, permitem que a radiação solar aqueça o ambiente com intensidade já nas primeiras horas da manhã.

Levantamentos meteorológicos indicam que, até o fim da terceira semana de agosto, praticamente não choveu em Teresina, um percentual bem abaixo da média histórica esperada para o mês. A ausência de precipitação, somada ao predomínio de céu com poucas nuvens, tende a manter esse padrão de calor intenso durante as tardes nos próximos dias, segundo a tendência indicada pelos órgãos de meteorologia.

A previsão para os próximos dias aponta para a manutenção do calor forte durante as tardes em diversas regiões do Piauí, com possibilidade de os termômetros ultrapassarem os 40°C em algumas áreas do estado. O sistema de alta pressão atmosférica que atua sobre a região é apontado como o principal responsável pela manutenção desse cenário, favorecendo dias de céu aberto e forte incidência de sol.

Os riscos à saúde nesse tipo de clima

Períodos prolongados de calor intenso combinado com baixa umidade aumentam o risco de desidratação, queda de pressão e desconforto respiratório, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas. A radiação solar elevada nos horários de pico também reforça a necessidade de cuidados redobrados com a pele, já que a exposição direta ao sol sem proteção pode causar queimaduras em pouco tempo.

Como se proteger durante os dias mais quentes

Manter uma rotina de hidratação frequente ao longo do dia, evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h e usar protetor solar mesmo em trajetos curtos são recomendações básicas para atravessar esse período com segurança. À noite, quando as temperaturas caem de forma mais acentuada, moradores também devem ficar atentos a resfriados e sintomas gripais, já que a mudança brusca de temperatura pode facilitar infecções respiratórias.

Esse padrão de calor extremo durante o dia e frio relativo à noite também tem influência direta em atividades ao ar livre, no comércio e até no consumo de energia elétrica, que costuma aumentar com o uso mais intenso de ventiladores e aparelhos de ar-condicionado. Moradores de bairros mais afastados do centro, com menos cobertura de arborização, tendem a sentir esse efeito de forma ainda mais intensa.

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