Ao analisar o contexto, Tiago Oliva Schietti observa que a sustentabilidade tem se tornado um tema central em diferentes segmentos da economia, e o setor funerário começa a ocupar um espaço relevante nesse debate. Tradicionalmente associado a práticas conservadoras e processos pouco questionados, o setor passa agora por uma reflexão necessária sobre impacto ambiental, responsabilidade social e uso consciente de recursos.
Essa transformação não ocorre de forma simples. Envolve desafios técnicos, culturais e regulatórios, mas também abre oportunidades para inovação, diferenciação de serviços e fortalecimento da relação com a sociedade. Pensar a sustentabilidade no setor funerário é reconhecer que cuidar do futuro também faz parte do cuidado com a vida e com a memória.
O impacto ambiental dos serviços funerários tradicionais
Os serviços funerários convencionais geram impactos ambientais significativos, muitas vezes pouco visíveis ao público. O uso de materiais não biodegradáveis, produtos químicos agressivos e processos que consomem energia e espaço físico contribuem para um passivo ambiental crescente.
Além disso, a ocupação de áreas para sepultamentos e a gestão inadequada de resíduos representam desafios para centros urbanos cada vez mais densos. Para Tiago Oliva Schietti, esses fatores reforçam a necessidade de repensar práticas e buscar alternativas que reduzam danos ao meio ambiente sem comprometer a dignidade dos rituais.
Reconhecer esse impacto é o primeiro passo para a mudança. A partir dessa consciência, o setor pode avançar na adoção de soluções mais responsáveis e alinhadas às demandas contemporâneas por sustentabilidade.
Quais são os principais desafios para tornar o setor mais sustentável?
Um dos principais desafios está na resistência cultural, como destaca Tiago Oliva Schietti. Rituais de despedida carregam forte simbolismo, e qualquer mudança pode ser vista com desconfiança por famílias e comunidades. Adaptar práticas sem ferir tradições exige diálogo, informação e sensibilidade.
Outro obstáculo importante é o custo de implementação de soluções sustentáveis. Materiais alternativos, tecnologias menos poluentes e processos inovadores nem sempre são acessíveis de imediato. Além disso, a ausência de regulamentações claras em algumas regiões dificulta a padronização e a adoção em larga escala.
A capacitação dos profissionais também é um ponto crítico. Para que a sustentabilidade se torne parte da rotina, é necessário investimento em treinamento e mudança de mentalidade, garantindo que as novas práticas sejam aplicadas de forma consciente e responsável.

Iniciativas sustentáveis que ganham espaço no setor funerário
Segundo Tiago Oliva Schietti, apesar dos desafios, diversas iniciativas sustentáveis já começam a se destacar no setor funerário. Essas práticas demonstram que é possível conciliar respeito aos rituais com responsabilidade ambiental e inovação.
Antes de listar essas iniciativas, é importante destacar que sua adoção deve considerar o contexto cultural e as necessidades das famílias, sempre com transparência e orientação adequada.
Entre as principais ações sustentáveis adotadas ou em desenvolvimento, destacam-se:
- Uso de urnas biodegradáveis e materiais de menor impacto ambiental
- Redução de produtos químicos agressivos nos processos de preparação
- Otimização do uso de energia e água nas instalações funerárias
- Digitalização de documentos e memoriais virtuais
- Ampliação de práticas de cremação com menor emissão de poluentes
Essas iniciativas representam avanços importantes e sinalizam um movimento gradual de transformação. Quando bem comunicadas, elas também contribuem para a conscientização das famílias sobre escolhas mais sustentáveis.
Oportunidades geradas pela sustentabilidade no setor funerário
A adoção de práticas sustentáveis não deve ser vista apenas como uma obrigação ambiental, mas como uma oportunidade estratégica, conforme explica Tiago Oliva Schietti. Empresas que se posicionam de forma responsável tendem a ganhar reconhecimento, credibilidade e diferenciação no mercado.
Além disso, a sustentabilidade abre espaço para inovação em produtos, serviços e modelos de negócio. Novas soluções podem atender a um público cada vez mais atento às questões ambientais e sociais, ampliando o alcance e a relevância do setor.
Outro ponto importante é o fortalecimento da relação com a comunidade. Ao adotar práticas conscientes, o setor funerário contribui para o debate público sobre meio ambiente e responsabilidade coletiva, reforçando seu papel social.
Caminhos para um futuro mais consciente e responsável
Como ressalta Tiago Oliva Schietti, construir um setor funerário mais sustentável é um processo contínuo, que exige comprometimento, planejamento e abertura para mudanças. Pequenas ações, quando integradas à estratégia, podem gerar impactos significativos ao longo do tempo.
O equilíbrio entre tradição, inovação e responsabilidade ambiental é o grande desafio, mas também a maior oportunidade. Ao investir em sustentabilidade, o setor funerário reafirma seu compromisso com o cuidado, não apenas com o presente, mas também com as futuras gerações.
Nesse cenário, a sustentabilidade deixa de ser um conceito abstrato e passa a fazer parte da essência de um serviço que lida, acima de tudo, com respeito à vida e à memória.
Autor: Zunnae Ferreira
