Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental, destaca que cada garrafa descartada em um rio, cada sacola abandonada em terreno baldio e cada embalagem enterrada em um lixão continua existindo no meio ambiente por centenas de anos, degradando-se progressivamente em partículas cada vez menores, mas nunca desaparecendo por completo.
Esse é o núcleo do desafio que o Brasil e o mundo enfrentam com a poluição plástica. Para entender os impactos reais dessa contaminação, o que a regulamentação brasileira e internacional já estabelece e quais alternativas sustentáveis estão disponíveis para reduzir esse passivo, continue lendo.
Qual é o impacto real do plástico no meio ambiente?
O impacto do plástico no meio ambiente opera em múltiplas escalas e afeta ecossistemas terrestres, aquáticos e marinhos de formas que a ciência ainda está mapeando em sua totalidade. Segundo Marcello José Abbud, um dos efeitos mais preocupantes é a fragmentação dos plásticos maiores em microplásticos, partículas com menos de cinco milímetros, e em nanoplásticos, invisíveis a olho nu, que já foram detectados em água potável, sal de cozinha, mel, frutos do mar e no sangue humano.
Para a fauna silvestre e marinha, a ingestão de plásticos causa obstrução gastrointestinal, falsa sensação de saciedade, intoxicação por compostos químicos adicionados durante a fabricação e, com frequência, morte por inanição. Espécies marinhas como tartarugas, albatrozes e baleias são vítimas documentadas desse processo. Em ambientes terrestres, a fragmentação plástica altera a estrutura do solo, interfere na atividade microbiana e compromete a absorção de água pelas raízes das plantas.
A regulação está avançando na velocidade certa?
O cenário regulatório global em torno do plástico está em transformação acelerada, embora o ritmo das mudanças ainda enfrente resistência de setores industriais com interesses consolidados. Como explica Marcello José Abbud, o Tratado Global sobre Poluição Plástica, negociado sob coordenação do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), representa o avanço mais significativo das últimas décadas na governança internacional do tema, propondo metas vinculantes para redução de produção e descarte ao longo de todo o ciclo de vida do plástico.

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos já estabelece instrumentos aplicáveis à gestão de resíduos plásticos, incluindo a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a obrigatoriedade de sistemas de logística reversa para embalagens em geral. Como destaca o especialista, o desafio brasileiro não está tanto na ausência de marcos legais, mas na implementação efetiva desses instrumentos em escala nacional, especialmente nos municípios de pequeno porte com menor capacidade técnica e orçamentária.
Quais alternativas sustentáveis estão disponíveis e são economicamente viáveis?
A substituição do plástico convencional por alternativas sustentáveis é um campo em rápida evolução, mas que exige análise técnica cuidadosa para evitar trocas que apenas deslocam o problema ambiental de um material para outro. Tal como sugere o empresário Marcello José Abbud, bioplásticos derivados de amido de milho, cana-de-açúcar ou celulose oferecem vantagens reais em termos de biodegradabilidade, mas sua sustentabilidade plena depende de condições específicas de compostagem que raramente estão disponíveis na infraestrutura municipal brasileira atual.
A economia circular oferece o referencial mais consistente para enfrentar o problema plástico de forma sistêmica. Isso significa redesenhar produtos para que usem menos material, para que sejam duráveis e reparáveis, para que incorporem plástico reciclado em sua composição e para que possam ser coletados e reprocessados ao final da vida útil sem perda significativa de qualidade. Empresas brasileiras de embalagens que já adotaram essa lógica relatam reduções de custo a médio prazo, além de ganhos de imagem junto a consumidores e compradores corporativos com metas de sustentabilidade.
O plástico, a sustentabilidade e as escolhas que definem o futuro
A poluição plástica não será resolvida por uma única medida, por mais bem-intencionada que seja. Ela exige uma combinação de redução na fonte, substituição por materiais adequados, coleta eficiente, reciclagem industrialmente viável e mudança de comportamento em escala cultural.
No fim, resume o diretor da Ecodust Ambiental, Marcello José Abbud, o problema do plástico no meio ambiente é, em última análise, um problema de governança do ciclo de vida dos materiais, e sua solução passa pela corresponsabilidade entre produtores, consumidores, poder público e setor de gestão de resíduos.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
