Taiza Tosatt Eleoterio mostra por que o senso de coerência pode fortalecer a saúde emocional

Diego Velázquez
Diego Velázquez
Taiza Tosatt Eleoterio

Existe um fio condutor que ajuda a explicar por que algumas pessoas atravessam períodos difíceis mantendo certo equilíbrio interno, enquanto outras, diante de situações semelhantes, sentem-se completamente desorganizadas. Esse fio é conhecido, no campo da psicologia da saúde, como senso de coerência: a percepção de que a vida, mesmo em seus momentos mais complexos, possui algum grau de compreensibilidade, manejabilidade e significado.

Sob o entendimento de Taiza Tosatt Eleoterio, esse conceito ajuda a entender diferenças individuais que muitas vezes são atribuídas erroneamente apenas a traços de personalidade, quando, na verdade, envolvem uma construção psíquica desenvolvida ao longo de experiências acumuladas.

Este conteúdo aprofunda o que compõe esse conceito e de que forma ele se relaciona com o bem-estar emocional ao longo da vida.

Como se estrutura o senso de coerência?

O senso de coerência se apoia em três pilares interligados. O primeiro é a compreensibilidade, ou seja, a capacidade de entender o que está acontecendo, mesmo que parcialmente. O segundo é a manejabilidade, relacionada à sensação de que existem recursos, internos ou externos, para lidar com a situação. O terceiro é o significado, que envolve encontrar sentido no que se vive, mesmo diante de circunstâncias adversas.

Esses três pilares não funcionam de forma isolada, mas se reforçam mutuamente. Uma pessoa pode compreender racionalmente uma situação difícil, como o diagnóstico de uma doença familiar, e ainda assim sentir-se sem recursos para enfrentá-la, caso não identifique apoio disponível ao seu redor. Da mesma forma, dispor de recursos práticos não garante, por si só, que a experiência seja vivida com algum sentido, caso falte compreensão sobre o que está em jogo. É justamente o equilíbrio entre os três elementos que sustenta a sensação de coerência diante do imprevisto.

Na avaliação de Taiza Tosatt Eleoterio, esses três elementos raramente se apresentam com a mesma intensidade em todas as pessoas. Algumas conseguem dar sentido a experiências difíceis com mais facilidade, enquanto outras sentem maior dificuldade em compreender o que atravessam, o que impacta diretamente a forma como reagem emocionalmente.

A diferença na resposta a crises: senso de coerência e saúde mental

Pessoas com senso de coerência mais desenvolvido tendem a interpretar situações estressantes como desafios administráveis, em vez de ameaças incontroláveis. Essa diferença de interpretação altera significativamente a resposta emocional, reduzindo a sensação de impotência diante de imprevistos.

Essa mudança de perspectiva não elimina o problema em si, mas transforma a relação da pessoa com ele. Diante de uma demissão inesperada, por exemplo, alguém com senso de coerência mais desenvolvido tende a buscar rapidamente quais recursos práticos e emocionais tem à disposição, em vez de permanecer paralisado pela sensação de que a situação está fora de qualquer controle. 

Essa diferença não está relacionada à gravidade objetiva do evento, mas à forma como cada pessoa consegue organizar mentalmente o que está vivendo, o que explica por que reações tão distintas surgem diante de circunstâncias semelhantes.

Como se desenvolve o senso de coerência ao longo da vida?

Diferente de uma característica inata, o senso de coerência se constrói ao longo da vida, especialmente a partir de experiências em que a pessoa percebe consistência entre o que vive e o que consegue compreender e enfrentar. Ambientes familiares que oferecem explicações honestas, mesmo diante de situações difíceis, tendem a favorecer esse desenvolvimento.

Em linha com o que expõe Taiza Tosatt Eleoterio, adultos que passaram por infâncias marcadas por imprevisibilidade excessiva, sem explicações compreensíveis para o que ocorria ao seu redor, costumam apresentar maior dificuldade em desenvolver esse senso de coerência, o que pode se refletir em maior vulnerabilidade emocional diante do estresse.

Esse desenvolvimento, no entanto, não se encerra na infância. Experiências significativas na vida adulta, como o acompanhamento terapêutico, relações de confiança construídas ao longo do tempo ou até mesmo a superação gradual de crises pessoais, também contribuem para fortalecer esse senso, ainda que a base inicial tenha sido menos favorável. Isso significa que uma trajetória marcada por instabilidade na infância não determina, de forma definitiva, a capacidade de desenvolver coerência interna na fase adulta.

Fortalecer o senso de coerência no dia a dia prepara para crises emocionais 

Entender o senso de coerência não é apenas um exercício teórico. Ele oferece um caminho prático para observar a própria relação com dificuldades: perguntar-se se determinada situação faz algum sentido, se existem recursos disponíveis para lidar com ela e se é possível extrair algum significado da experiência são perguntas que ajudam a reorganizar a resposta emocional diante do imprevisto, favorecendo decisões mais equilibradas mesmo em contextos de incerteza.

Como pondera Taiza Tosatt Eleoterio, esse tipo de reflexão não precisa esperar por momentos de crise para ser exercitado. Incorporar essas perguntas ao cotidiano, mesmo diante de dificuldades menores, ajuda a fortalecer gradualmente o senso de coerência, tornando-o um recurso mais acessível justamente quando situações mais desafiadoras se apresentam.

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