Mobilidade elétrica leve: o que muda nas cidades do litoral

Ethan Norcrest
Ethan Norcrest
Fredy da Silva Gonçalves Bento

À frente da Litoral Mobilidade, Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário conhecido como Fredy Restrito, acompanha de perto uma mudança que já se vê nas ruas da Baixada Santista: motos, scooters e bicicletas elétricas ocupando espaço antes dominado por veículos a combustão. O fenômeno deixou de ser novidade e começa a mostrar contornos mais definidos.

A Resolução 996 do Contran, publicada em 2023, ajudou a organizar esse mercado ao separar em categorias os veículos elétricos leves, com regras próprias para cada uma. A partir daí, algumas tendências ficaram mais nítidas. Elas dizem respeito a quem compra, a onde esses veículos circulam e ao que ainda falta para que o crescimento se sustente.

Regra clara amplia o público

Durante anos, o comprador de uma scooter elétrica não sabia ao certo se precisava de placa, habilitação ou capacete. Fredy Restrito frisa que essa incerteza afastava parte dos consumidores e abria espaço para vendas mal orientadas.

Com a definição entre autopropelidos, que dispensam habilitação, e ciclomotores, que exigem registro e carteira, o produto passou a ser escolhido também pela forma de uso. Quem quer apenas circular pelo bairro procura um modelo; quem precisa de mais velocidade e autonomia, outro. Esse amadurecimento tende a reduzir compras por impulso e a valorizar lojas capazes de orientar o cliente sobre a categoria certa.

O trabalho puxa a demanda

Entregadores de aplicativo e pequenos comerciantes fazem conta todos os dias. Para quem roda dezenas de quilômetros por jornada, o custo de recarregar uma bateria em casa costuma ser bem menor que o de abastecer com gasolina, e a manutenção mecânica de rotina também é mais simples.

Por isso, o veículo elétrico leve vem deixando de ser visto apenas como item de lazer.  Fredy da Silva Gonçalves Bentos salienta que ele passa a ser ferramenta de trabalho, o que muda o perfil de exigência do comprador: durabilidade da bateria, disponibilidade de peças e rapidez no conserto pesam mais do que design ou acessórios.

A geografia do litoral ajuda

Cidades planas, com distâncias curtas entre casa, trabalho e comércio, são o ambiente mais favorável para esse tipo de veículo. Fredy Restrito salienta que a Baixada Santista reúne essas características, além de contar, em municípios como Santos, com uma rede de ciclovias consolidada.

O clima também favorece o uso durante boa parte do ano. Por outro lado, a maresia exige cuidado extra com componentes elétricos. Essa combinação explica por que o litoral paulista se tornou um mercado de teste relevante: a demanda é alta, mas o produto precisa resistir a condições específicas. Foi nesse ambiente que a empresa comandada pelo empresário cresceu até comercializar centenas de veículos elétricos por mês, com mais de 40 colaboradores.

Baterias usadas entram na conta

À medida que a frota cresce, cresce também o volume de baterias que chegarão ao fim da vida útil. A Política Nacional de Resíduos Sólidos já inclui pilhas e baterias entre os produtos sujeitos à logística reversa, o que obriga fabricantes, importadores e comerciantes a estruturar o recolhimento.

Esse ponto ainda recebe pouca atenção do consumidor, mas deve ganhar peso nos próximos anos. Empresas que organizam desde já a coleta, o reaproveitamento e a destinação correta das baterias estarão mais preparadas para um mercado que tende a ficar mais fiscalizado.

Do crescimento rápido à maturidade

Todo mercado que cresce depressa passa por uma fase de seleção. Na mobilidade elétrica leve, ela deve favorecer operações com estrutura de importação, estoque de peças, assistência técnica e informação correta ao comprador.

É nesse cenário que Fredy da Silva Gonçalves Bento posiciona o plano de expansão da Litoral Mobilidade por meio de franquias, levando para outras regiões o modelo desenvolvido no litoral paulista. A tendência mais importante, portanto, talvez não esteja no veículo em si, mas na profissionalização de quem vende, conserta e dá suporte. É ela que vai definir se a mobilidade elétrica se torna parte permanente das cidades brasileiras.

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