Levantamento divulgado em 13 de julho aponta 40% para o presidente no primeiro turno e 47% no segundo, mas o percentual de eleitores que ainda pode mudar de voto cresceu
A corrida presidencial de 2026 segue em um compasso de espera que já dura meses, e a mais recente rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, não trouxe sobressaltos para quem acompanha o cenário eleitoral. A sexta rodada do levantamento, divulgada em 13 de julho de 2026, mostrou que o cenário eleitoral para a disputa presidencial registrou pequenas oscilações, mantendo estabilidade geral no primeiro turno. Para o eleitor que tenta entender se a disputa já está definida ou se ainda existe margem real de mudança, os números merecem uma leitura cuidadosa, porque escondem tanto continuidade quanto sinais de instabilidade represada. fsb
O que mostram os números do primeiro e do segundo turno
No cenário estimulado principal, Lula aparece com 40% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 34%. Na comparação com a rodada anterior, feita no fim de junho, Lula recuou dois pontos percentuais, de 42% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro manteve exatamente os mesmos 34%, variação que fica dentro da margem de erro da pesquisa. Isso significa que, tecnicamente, não houve mudança relevante de um mês para o outro, ainda que a queda de Lula chame atenção por ser a segunda consecutiva. Os demais nomes testados seguem na casa de um dígito: Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos aparece com 4% e Romeu Zema também soma 4%. Nenhum desses candidatos, portanto, apresenta força suficiente para ameaçar a polarização entre os dois primeiros colocados, o que reforça a leitura de que a disputa real do primeiro turno segue concentrada em apenas dois nomes. fsbfsb
No cenário de segundo turno, a distância também permanece dentro da margem de erro. Lula lidera com 47% das intenções de voto contra 44% de Flávio Bolsonaro, e ambos mantiveram exatamente os mesmos percentuais da rodada anterior, preservando a diferença de três pontos percentuais, o que caracteriza um empate técnico. Para o leitor que pergunta se esse tipo de estabilidade é comum a esta altura do ano eleitoral, a resposta é sim: pesquisas de opinião tendem a mostrar pouca variação nos meses que antecedem o período de campanha oficial, quando o debate público ainda não se intensificou e boa parte do eleitorado já tem uma posição consolidada havia meses. fsb
Por que a fidelidade eleitoral é tão alta nos dois extremos
Um dos dados mais reveladores da pesquisa diz respeito ao grau de convicção dos eleitores mais engajados. Entre os eleitores classificados como lulistas convictos, 87% afirmam já ter decidido seu voto e garantem que não vão mudar de posição. Entre os bolsonaristas convictos, esse percentual é de 77%, mostrando que os dois grupos mais fiéis mantêm as maiores taxas de consistência eleitoral do levantamento. Esse dado ajuda a explicar por que a disputa parece “travada” mesmo com a proximidade do período eleitoral: uma fatia expressiva do eleitorado já tomou sua decisão e dificilmente vai reconsiderá-la, o que reduz o espaço de manobra tanto para os candidatos líderes quanto para os concorrentes menores que tentam crescer. fsb
Ao mesmo tempo, o levantamento revela um movimento inverso entre o público em geral. Entre todos os entrevistados que já escolheram um candidato no primeiro turno, 70% dizem que a decisão está tomada e não deve mudar, uma queda em relação aos 74% registrados na rodada anterior. Já o total de eleitores que afirma poder ainda alterar sua escolha subiu para 29%. Esse aumento, mesmo que modesto, é o tipo de sinal que analistas políticos costumam observar com atenção, porque indica que a polarização nos extremos convive com uma faixa de indecisos ou de eleitores flexíveis que pode se tornar decisiva à medida que a campanha avança e os debates televisivos, as coligações e o horário eleitoral gratuito entrarem em cena. fsb
Como foi feita a pesquisa e o que vem pela frente
O levantamento ouviu 2.003 eleitores por telefone entre os dias 10 e 12 de julho de 2026, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%, abrangendo eleitores de todas as regiões do país. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-07981/2026. Esses parâmetros metodológicos são importantes para o leitor avaliar o peso real dos números: variações de um ou dois pontos entre rodadas, como as observadas entre Lula e Flávio Bolsonaro, não podem ser tratadas como tendência consolidada, mas sim como parte do ruído estatístico normal de qualquer pesquisa de opinião. fsb
O que se pode afirmar com mais segurança é que o Brasil caminha para uma eleição presidencial marcada por polarização intensa e base eleitoral fiel dos dois lados, características que já se repetiam nos pleitos anteriores. A pergunta que fica para os próximos meses é até que ponto os 29% de eleitores ainda abertos a mudança vão se movimentar, e para qual direção. Candidaturas de terceira via, como as de Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema, dependem justamente dessa fatia para crescer, mas os números atuais mostram que, por ora, elas seguem distantes de romper o teto de um dígito percentual. Novas rodadas de pesquisa, à medida que a campanha se aproxima do horário eleitoral obrigatório, devem mostrar se essa fotografia de julho se mantém ou começa a se mover.
Fonte: Nexus
