A relação entre atividade física e saúde mental deixou de ser apenas um assunto ligado à estética ou desempenho corporal. Hoje, cada vez mais pessoas percebem como o movimento influencia disposição, foco, sono e equilíbrio emocional. Alexandre Costa Pedrosa explica que essa mudança de percepção é positiva porque amplia a forma como a sociedade entende o cuidado com a saúde, especialmente em uma rotina marcada por excesso de estímulos, ansiedade e sedentarismo.
Passar muitas horas sentado, dormir mal e viver em estado constante de alerta acabou se tornando parte da rotina de milhares de pessoas. Nesse cenário, inserir movimento no dia a dia pode representar muito mais do que condicionamento físico. Alexandre Costa Pedrosa acredita que a atividade física funciona também como ferramenta importante de organização emocional, principalmente para quem convive com TDAH, TEA, ansiedade ou dificuldades relacionadas à regulação do estresse.
Corpo e mente funcionam em conjunto
Embora ainda exista a ideia de separar saúde física e emocional, o organismo funciona de maneira integrada. Sono, alimentação, disposição mental e níveis de energia estão diretamente conectados aos hábitos cotidianos.
Quando o corpo permanece muito tempo em estado de inatividade, é comum surgirem cansaço constante, dificuldade de concentração e sensação de sobrecarga mental. O movimento ajuda justamente a quebrar esse ciclo, estimulando funções importantes relacionadas ao humor e à regulação emocional.
Alexandre Costa Pedrosa comenta que muitas pessoas começam a se exercitar pensando apenas na aparência física e acabam percebendo benefícios ainda maiores no controle da ansiedade e na melhora da clareza mental.
Nem toda atividade precisa seguir padrões rígidos
Um erro bastante comum é acreditar que exercício físico só funciona quando existe desempenho intenso ou rotina extremamente disciplinada. Essa visão acaba afastando pessoas que já enfrentam dificuldades para manter constância no cotidiano.
Na prática, atividades simples também podem gerar impactos positivos:
- Caminhadas regulares.
- Alongamentos ao longo do dia.
- Dança.
- Bicicleta.
- Exercícios funcionais leves.
- Esportes recreativos.
O mais importante costuma ser a continuidade, não a perfeição. Alexandre Costa Pedrosa observa que criar uma relação menos punitiva com o exercício ajuda principalmente pessoas neuroatípicas, que muitas vezes enfrentam dificuldades relacionadas à organização de rotina e excesso de cobrança.

O impacto em pessoas com TEA e TDAH
Em muitos casos, a atividade física contribui para melhora na concentração, redução da agitação e regulação emocional. Pessoas com TDAH, por exemplo, frequentemente relatam sensação maior de clareza mental após exercícios regulares.
Já no contexto do TEA, determinadas atividades podem ajudar no processamento sensorial, na coordenação motora e até na socialização, dependendo da forma como são introduzidas na rotina. Isso não significa transformar o exercício em obrigação rígida, mas encontrar práticas compatíveis com o perfil e as necessidades individuais.
Alexandre Costa Pedrosa acredita que o acolhimento faz diferença importante nesse processo. Ambientes excessivamente competitivos ou cheios de pressão tendem a gerar efeito contrário, aumentando frustração e desconforto emocional.
Pequenas mudanças também geram resultados
Muita gente adia o início de hábitos mais saudáveis esperando o “momento ideal”, quando, na verdade, mudanças pequenas já conseguem produzir impactos relevantes no dia a dia. Dormir melhor, reduzir o tempo excessivo de tela e inserir movimento gradual na rotina costuma trazer benefícios perceptíveis ao longo do tempo.
Além disso, criar metas mais realistas ajuda a evitar desistências rápidas e sensação constante de fracasso. Saúde não precisa ser construída por meio de extremos. Em muitos casos, consistência e equilíbrio produzem resultados mais sustentáveis do que cobranças intensas e mudanças radicais.
Falar sobre atividade física de forma mais humana ajuda a aproximar o cuidado com a saúde da realidade das pessoas. Quando o movimento deixa de ser encarado apenas como obrigação estética e passa a fazer parte do bem-estar cotidiano, a relação com o corpo e com a mente tende a se tornar muito mais saudável.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
